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sexta-feira, 23 de abril de 2010

outros outubros virão

"E o que foi feito é preciso conhecer pra melhor prosseguir..."

Arrepia até o espírito, orgulho de ser mineiro, orgulho de ser, simplesmente.
Vontade de viver, vontade de ser. Quisera encontrar aquele verso menino que escrevi tantos anos atrás...
O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou?
Falo assim sem saudade, falo assim sem saber; se muito vale o já feito, mais vale o que será...




O que foi feito devera - Milton Nascimento

PS: Melhor que isso, só acabar a música ouvindo "Alertem todos alarmas, que o homem que eu era voltou..."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

na arquibancada da vida você se perder

Mesmo quem não me conhece reconhece que o samba corre bem na minha veia. Vem lá de dentro furando a mineirice e tendo a mesma proporção que o Rio na minha vida, tão pertinho, tão acessível, tão importante, tão bonito e tão violento. E também curioso.
Tem um tipo de samba que eu gosto bastante que é o que faz metáforas de carnaval. Tem várias, pra quem não conhece:

“Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando…”
Chico Buarque - Ela Desatinou

"Agora sei desfilei sob aplausos da ilusão
E hoje tenho esse samba de amor, por comissão
Fim do carnaval, nas cinzas pude perceber
Na apuração perdi você” 
Jorge Aragão - Enredo do Meu Samba

E eu sei que vocês conhecem muitos e muitos mais. Mas peço licença para registrar um que vem martelando na minha cabeça há um tempo. Se chama "Tamanco Malandrinho", e não conheço os autores, mas tem combinado bem com essa temporada do seriado.

"Vista sua mortalha azul turquesa
Mais bonita que a beleza
Mais humana que o perdão
Calce seu tamanco malandrinho
Pintado de azul marinho
Que é a cor da solidão
Transe, carnaval são só três dias
De cachaça e de folia
De alegria e emoção
Chore quando chega a terça-feira
Peito estoura de saudade
Estraçalha o coração
Que eu quero ver


Eu quero ver
Meu bloco na avenida sete encontrar com você
Eu quero ver
Na arquibancada da vida você se perder..."


Aiii não resisti, só mais um:


"Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
 
Hoje o samba saiu
Procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer..."
Chico Buarque - Quem te viu, quem te vê

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o amor é filme e deus espectador!

"O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica"


Filme é uma coisa complicada, não?
Sobre o mesmo filme se ouve "gosto", "não gosto", "é meu preferido", "é uma merda", "é hollywoodiano", "é forçado", "é tosco", "não faz meu estilo" (essa é a pior de todas - pra mim, se diz 'é bom' ou 'é ruim', a subjetividade do que eu chamo de "MEU ESTILO" não pode ser levada em conta!), "é denso", "não faz sentido, acaba sem mais nem menos", "é muito grande" (essa também é boa!) e taaaantos outros. Isso, a meu ver, faz com que uma discussão sobre filmes se torne densa inclusive com as pessoas com que se tem mais afinidade, quase como discutir religião e futebol (me permite não dizer nada sobre futebol hoje? ou melhor, me permite deixar aqui o meu protesto pela vitória do Flamengo no campeonato?). Eu assumo: meu gosto para filmes vai dos mais consagrados aos mais idiotas. Eu gosto, sim, de comédias românticas idiotas e mentirosas, mas se cinema é arte, assim como as outras, não posso querer lutar contra a emoção produzida também pelas películas.

Esse fim de semana eu encontrei uma coisa que existe em comum nos grandes filmes que eu gosto: a junção de uma cena e sua música, em geral, as cenas finais. Não é a trilha sonora em si, que muitas vezes nem é boa, é, por vezes, uma música, que começa quando os olhos já estão inchados e o rosto todo molhado, e que dá um nó na garganta até subirem os créditos.

Quem não se lembra, em "Efeito Borboleta", de Evan queimando suas lembranças e depois encontrando Kayleigh na rua ao som de "Stop Crying Your Heart Out?" ("don't be scared...you'll never change what's been and done..." ironicamente)? Ou de William Thacker e Anna Scott na entrevista coletiva, quando ele pergunta por quanto tempo ela ainda vai estar em Londres e ela diz "Indefinetly" e começa "sheeeeeeeeeee may be the beauty or the beeeaast..." e os flashes em cima deles...Em "Crash", depois de toda aquela trama maravilhosa, a capa invisível, tudo se interligando, como a nossa vida mesma se dá todos os dias, vem a cena final, e sobe a música do filme "maybe tomorrow, I'll find my waaaaay home...", consigo sentir o nó na garganta nesse minuto, só de lembrar. Não deixo de fora a cena mais bonita de "Lisbela e o Prisioneiro", os dois no caminhão, tocando "o amor é fiiiilme...". E também não poderia faltar a grande inspiração para quem vos fala, Amélie e Mathieu, na motocicleta pelas ruas de Paris, ao som da valsa e depois de nos emocionar com seu (fabuloso) destino.

Um dia, quem sabe, eu faça uma lista dos meus filmes preferidos da vida inteira, sem hierarquia, por favor, porque se tornaria impossível. Eu me lembro de ter um dia acreditado na Lisbela, que disse que a vida da gente é como um longa-metragem, e alguém um dia ter me dito "Deixa de ser idiota, a sua vida não é um filme". E eu posso dizer, à maneira clássica de ignorar, que quando ouvi isso, o filme que eu construo todos os dias era um suspense com bastante drama, e hoje eu vivo um romance com pitadas de comédia e aventura. Ah, e, é claro, com direito a uma trilha sonora espetacular.


"É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos"

"O Amor é Filme" - Lirinha



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

pai, me ensina a ser palhaço?

"E o fogo com sua dança
Toda vida fez um som..."

"O fogo é uma mistura de gases a altas temperaturas, formada em reação exotérmica de oxidação, que emite radiação eletromagnética nas faixas do infravermelho e do visível. Desse modo, o fogo pode ser entendido como uma entidade gasosa emissora de radiação e decorrente da combustão."


Se vier com poesia pendurada no barbante, é transcedental.
Se for encantado, é TRANS-FI-GU-RA-ÇÃO.

Uma experiência que não me permitiu muitas fotos, que ao lembrar me arrepia; que não tem palavras, só sensações; e me cabe agora nada mais que o registro dessa noite mágica: Cordel do Fogo Encantado em Juiz de Fora, 12 de Novembro de 2009.

Ah, e também, é claro, cabe um agradecimento. Deixo aqui a minha alegria alheia (ééé, igual quando a gente sente vergonha alheia, sabe?) pelo som desses meninos, que, ressaltando a maior surpresa da noite, são gente como nós, são pessoas que dormem, acordam, pegam ônibus ou dirigem, têm fome e tomam banho, são feitos de carne e sangue e água - e fogo.
E que produzem poesia, música, batuque, teatro, macumba, cordel, arte, encanto, sensações - será que juntando tudo isso eu consigo outro elemento que não o fogo?

PS: Deixo aqui também registrada a minha mais velha paixão: me lembro, ainda criança, eu guardava uma caixinha de fósforos dentro da minha gaveta, e quando ficava muito nervosa, acendia um palito e olhava o circo pegar; e o cheiro me acalmava, e a mágica daquela imagem quente que surge do nada e pro nada volta (será que consegui alguma semelhança com a nossa própria efemeridade?), que ali durava segundos, eram os segundos de mais grandes (sic) sensações. Vermelhas, amarelas e quentes.

Muito obrigada pela maravilhosa noite de ontem. E pelos dias passados também.




"E a lona rasgada no alto
No globo os artistas da morte
E essa tragédia que é viver, e essa tragédia
Tanto amor que fere e cansa"

domingo, 8 de novembro de 2009

such a perfect day.

Para o apreciador de música boa, é impossível não reconhecer o quão estreito tem ficado o nosso leque em se tratando da música da atualidade. A verdade e que já não se faz mais música como antigamente (a velha falando), muito menos quando o "antigamente" remete aos meus anos de música preferido, os 60's e os 70's; uma geração (ou duas) de artistas excelentes, esbanjando personalidade, estilo e musicalidade, e influenciando um pequeno e em fase de aperfeiçoamento* mundo inteiro.

Enfim, hoje seguimos procurando agulhas em um palheiro gigante, encontrando aqui e ali boas influências musicais, bons artistas, pessoas lutando pela musicalidade dentro desse baú imenso de porcarias desqualificadas que têm (certas coisas da nova regra do português ainda se mostram tão ineficientes para mim que eu prefiro usar tudo como era antes) chamado de "música", e tentando sempre salvar nossas crianças do lixo comercial, assim como, um dia, nos salvaram.

[*ressalvas para esse "fase de aperfeiçoamento"; depois de ter estudado muita história, a visão que eu consigo ter sobre o mundo dessa época é esbranquiçada, como se depois de tanto tempo de obscuridade, o povo conseguisse, finalmente, enxergar a luz no fim de anos negros, e se libertar de conceitos e estatutos antiquados e desnecessários. Só de maneira nenhuma pense que eu penso que os anos 2000 representam essa luz.]

Uma das maiores bandas mundiais em termos musicais, estilísticos e de personalidade, hoje em dia, é o Coldplay, e deixo bem claro que esse conceito é baseado em várias e várias referências, mas nunca no meu gosto, de modo que, ainda que o conceito musical deles não se interligasse com o meu, eu teria que respeitar as estatísticas. A possibilidade de vê-los no Brasil em fevereiro, junto com meu irmão, e logo nesse momento tão British que a gente anda vivendo, me fez ontem aceitar pagar R$500 se fosse preciso para ir na pista VIP e ficar bem pertinho dos caras. Todo esse dinheiro parece que não vai ser necessário, mas por um minuto eu tive orgulho da minha visão de dinheiro (na verdade, chega a ser um defeito não saber controlar os gastos). Deveria eu ter pensado "não, isso é dinheiro demais para esses capitalistas filhos de uma puta"?

Outro dia, tinha um sol perfeito brilhando lá fora, e o dia estava realmente muito, muito bonito. Eu subi pra caminhar na UF e essa música começou a tocar. "It's such, it's such a perfect day..." As circunstâncias se uniram de maneira tão favorável que me atingiram com tamanha particularidade que eu chorei de emoção, de alegria. Não é isso que a arte nos proporciona, não é disso que ela é intrinsecamente composta, desde o agente até o receptor? Não é em busca de emoções que passamos a nossa vida inteira, inclusive quem não se interessa por arte?

E não é para suprir as minhas buscas que eu trabalho e ganho dinheiro no final de cada mês? Para que eu chegue no fim da minha vida pensando "fiz tudo que queria ter feito"? Não é para gastar com as nossas necessidades que inventaram esse imperador impiedoso chamado "dinheiro"? E se eu tiver necessidade de emoção? E se eu tiver necessidade de arte?

Deixo aqui o clipe da música que me inspirou a esse post, e recomendo.
Artisticamente emocionante.



"Now the sky could be blue, I don't mind
Without you it's a waste of time..."

domingo, 23 de agosto de 2009

carpinteiro do universo inteiro eu sou

"Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
"


Mais um da minha coleção de incompreendidos. Essa é minha homenagem a mais um gênio que reconhecia a idiotisse cotidiana que a gente vive todos os dias, com todo o direito do uso desse pleonasmo que eu possa vir a ter e ressaltando ainda mais tudo que esse representa; e que, não satisfeito viver na ponta do pelo do coelho, ainda brincou sabiamente com a monotonia burra dos que vivem agarrados à sua pele. Deixo essa confusão de tempos verbais numa referência ao seu atemporalismo musical, e também porque eu mesma me confundi ao pensar se ele brincou, brincava ou ainda brinca com os que viveram, viviam ou ainda vivem.


Nesse dia tão especial me resta muito pouco senão deixar aqui o seu canto para a aniversariante. Mesmo você que sempre enganou (engana? enganava?) todo mundo não conseguiu enganar aquela que está lá (ou logo ali), esperando cada um dos que tem vida. No mais, muito obrigada por fazer dos meus dias mais alegres e menos angustiantes com sua poesia refinada, divertida e realista. E nem um pouco louca, bem pelo contrário.


"Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida

Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida..."

 Raul Seixas - Canto Para a Minha Morte

sábado, 11 de julho de 2009

Cê tá pensando que eu sou Lóki, bicho?



Acabei de sair do cinema, fui ver "Lóki", o documentário tão aclamado sobre Arnaldo Baptista. Confesso que tive medo de não apreciar da mesma forma que todos os pseudointelectuais-super-fãs que eu encontrei pelo caminho e que me disseram maravilhas, mas na minha condição de pseudointelectual-super-fã, me encontro ainda em estado completo de êxtase, e acho que vou voltar amanhã pra ver de novo.
Entretanto, eu indicaria esse filme exclusivamente para três grupos de pessoas:

1. Jornalistas e/ou produtores de documentários. "Lóki" apresenta uma riqueza surpreendente de detalhes e materiais raríssimos, típico de superproduções; fotografia bacana; e depoimentos de pessoas certas encaixados numa ordem perfeita.

2. Músicos e/ou apreciadores da boa e velha e nova música. Um olhar músico verá em "Lóki" a história de um homem que mudou o rumo da música brasileira numa época em que "era permitido proibir", trazendo guitarras distorcidas para os banquinhos e violões, injetando psicodelismo embutido num rock'n'roll de primeira e dizendo tudo o que se queria dizer com - e não existe palavra que expresse melhor - alegria. Além de depoimentos de ícones como Tom Zé, Nelson Motta, Gilberto Gil, Sean Lennon, Kurt Cobain; bastidores, ensaios, shows e mais shows; o mundo das drogas e o poço do amor, e a arte sempre a sobreviver - quando não a se fortalecer...

3. Fãs. Ahhh, esses então vão ao delírio. A começar pelos depoimentos constantes do Sérgio, Dinho e Liminha, "nossos" eternos Mutantes, imortais na nossa memória mutante. Eu incluiria aqui também, e inclusive por essa razão, alguém que já havia me surpreendido, mas nada como hoje: Zélia Duncan, que de somente mais uma cantora de voz grossa e música de barzinho, depois de toda eficiência, humildade e devoção mostradas em Londres, falou as palavras mais bonitas de todas as entrevistas; falou como fã onde todos falavam como amigos, e talvez tenha, assim, dito tudo que os nós fãs sempre quisemos dizer; mostrando ainda que a oportunidade de inserção (e nunca de substituição) não foi dada simplesmente a uma talentosa cantora, mas principalmente a uma profunda apreciadora.
Nossos pais diriam que o "nosso" Arnaldo não é nem nunca foi nenhum exemplo a ser seguido (assim como nenhum outro artista, se me for permitida essa observação) - e eu até que concordo, sabia? Um filme da Madre Teresa de Calcutá pode ser que agrade mais, então, varia com a proposta - e ninguém que vir "Lóki" vai se apaixonar por ele, até mesmo pelo contrário. Um artista não é nada mais do que um "despertador de sentimentos", e eu me arrisco a dizer que só os que já tiveram os sentimentos dispertados pela arte dos Mutantes, e em particular do "nosso" Arnaldo, consegue sentir o que eu senti ao sair da sala de cinema com os olhos cheios de lágrimas, e com redobrados carinho, respeito e admiração por um artista - e nada mais do que isso - que me fez sentir alegria, emoção, admiração, e compreender um pouquinho mais da relação tão próxima entre loucura e felicidade ao ser incompreendido e considerado louco. Mas feliz.

PS: quanto mais eu vejo e leio sobre a Rita Lee, mais eu tenho vontade de xingar. Deixo aqui o meu protesto.