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sexta-feira, 23 de abril de 2010

outros outubros virão

"E o que foi feito é preciso conhecer pra melhor prosseguir..."

Arrepia até o espírito, orgulho de ser mineiro, orgulho de ser, simplesmente.
Vontade de viver, vontade de ser. Quisera encontrar aquele verso menino que escrevi tantos anos atrás...
O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou?
Falo assim sem saudade, falo assim sem saber; se muito vale o já feito, mais vale o que será...




O que foi feito devera - Milton Nascimento

PS: Melhor que isso, só acabar a música ouvindo "Alertem todos alarmas, que o homem que eu era voltou..."

quarta-feira, 10 de março de 2010

sinfully delicious


Na verdade, não muda a vida de ninguém, e nem parece feito pra isso, de qualquer maneira (a verdade é que quem pensa como pensa não se permite questionar, e muito menos aceitar mudanças). Mas mostra de maneira bem bonita a possibilidade de ver a vida e sua simplicidade, sem preconceitos, sem conceitos, sem leis nem sofrimento, assim mesmo com tudo foi feito pra ser. 
Bom pra qualquer idade, qualquer pessoa, qualquer cultura. Mas fica mais delicioso se visto por um coração apaixonado...e com muitos bombons e trufas pra durante e depois!



Chocolat - Juliette Binoche, Judi Dench, Alfred Molina, Lena Olin and Johnny Depp

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o amor é filme e deus espectador!

"O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica"


Filme é uma coisa complicada, não?
Sobre o mesmo filme se ouve "gosto", "não gosto", "é meu preferido", "é uma merda", "é hollywoodiano", "é forçado", "é tosco", "não faz meu estilo" (essa é a pior de todas - pra mim, se diz 'é bom' ou 'é ruim', a subjetividade do que eu chamo de "MEU ESTILO" não pode ser levada em conta!), "é denso", "não faz sentido, acaba sem mais nem menos", "é muito grande" (essa também é boa!) e taaaantos outros. Isso, a meu ver, faz com que uma discussão sobre filmes se torne densa inclusive com as pessoas com que se tem mais afinidade, quase como discutir religião e futebol (me permite não dizer nada sobre futebol hoje? ou melhor, me permite deixar aqui o meu protesto pela vitória do Flamengo no campeonato?). Eu assumo: meu gosto para filmes vai dos mais consagrados aos mais idiotas. Eu gosto, sim, de comédias românticas idiotas e mentirosas, mas se cinema é arte, assim como as outras, não posso querer lutar contra a emoção produzida também pelas películas.

Esse fim de semana eu encontrei uma coisa que existe em comum nos grandes filmes que eu gosto: a junção de uma cena e sua música, em geral, as cenas finais. Não é a trilha sonora em si, que muitas vezes nem é boa, é, por vezes, uma música, que começa quando os olhos já estão inchados e o rosto todo molhado, e que dá um nó na garganta até subirem os créditos.

Quem não se lembra, em "Efeito Borboleta", de Evan queimando suas lembranças e depois encontrando Kayleigh na rua ao som de "Stop Crying Your Heart Out?" ("don't be scared...you'll never change what's been and done..." ironicamente)? Ou de William Thacker e Anna Scott na entrevista coletiva, quando ele pergunta por quanto tempo ela ainda vai estar em Londres e ela diz "Indefinetly" e começa "sheeeeeeeeeee may be the beauty or the beeeaast..." e os flashes em cima deles...Em "Crash", depois de toda aquela trama maravilhosa, a capa invisível, tudo se interligando, como a nossa vida mesma se dá todos os dias, vem a cena final, e sobe a música do filme "maybe tomorrow, I'll find my waaaaay home...", consigo sentir o nó na garganta nesse minuto, só de lembrar. Não deixo de fora a cena mais bonita de "Lisbela e o Prisioneiro", os dois no caminhão, tocando "o amor é fiiiilme...". E também não poderia faltar a grande inspiração para quem vos fala, Amélie e Mathieu, na motocicleta pelas ruas de Paris, ao som da valsa e depois de nos emocionar com seu (fabuloso) destino.

Um dia, quem sabe, eu faça uma lista dos meus filmes preferidos da vida inteira, sem hierarquia, por favor, porque se tornaria impossível. Eu me lembro de ter um dia acreditado na Lisbela, que disse que a vida da gente é como um longa-metragem, e alguém um dia ter me dito "Deixa de ser idiota, a sua vida não é um filme". E eu posso dizer, à maneira clássica de ignorar, que quando ouvi isso, o filme que eu construo todos os dias era um suspense com bastante drama, e hoje eu vivo um romance com pitadas de comédia e aventura. Ah, e, é claro, com direito a uma trilha sonora espetacular.


"É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos"

"O Amor é Filme" - Lirinha



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

pai, me ensina a ser palhaço?

"E o fogo com sua dança
Toda vida fez um som..."

"O fogo é uma mistura de gases a altas temperaturas, formada em reação exotérmica de oxidação, que emite radiação eletromagnética nas faixas do infravermelho e do visível. Desse modo, o fogo pode ser entendido como uma entidade gasosa emissora de radiação e decorrente da combustão."


Se vier com poesia pendurada no barbante, é transcedental.
Se for encantado, é TRANS-FI-GU-RA-ÇÃO.

Uma experiência que não me permitiu muitas fotos, que ao lembrar me arrepia; que não tem palavras, só sensações; e me cabe agora nada mais que o registro dessa noite mágica: Cordel do Fogo Encantado em Juiz de Fora, 12 de Novembro de 2009.

Ah, e também, é claro, cabe um agradecimento. Deixo aqui a minha alegria alheia (ééé, igual quando a gente sente vergonha alheia, sabe?) pelo som desses meninos, que, ressaltando a maior surpresa da noite, são gente como nós, são pessoas que dormem, acordam, pegam ônibus ou dirigem, têm fome e tomam banho, são feitos de carne e sangue e água - e fogo.
E que produzem poesia, música, batuque, teatro, macumba, cordel, arte, encanto, sensações - será que juntando tudo isso eu consigo outro elemento que não o fogo?

PS: Deixo aqui também registrada a minha mais velha paixão: me lembro, ainda criança, eu guardava uma caixinha de fósforos dentro da minha gaveta, e quando ficava muito nervosa, acendia um palito e olhava o circo pegar; e o cheiro me acalmava, e a mágica daquela imagem quente que surge do nada e pro nada volta (será que consegui alguma semelhança com a nossa própria efemeridade?), que ali durava segundos, eram os segundos de mais grandes (sic) sensações. Vermelhas, amarelas e quentes.

Muito obrigada pela maravilhosa noite de ontem. E pelos dias passados também.




"E a lona rasgada no alto
No globo os artistas da morte
E essa tragédia que é viver, e essa tragédia
Tanto amor que fere e cansa"

domingo, 8 de novembro de 2009

such a perfect day.

Para o apreciador de música boa, é impossível não reconhecer o quão estreito tem ficado o nosso leque em se tratando da música da atualidade. A verdade e que já não se faz mais música como antigamente (a velha falando), muito menos quando o "antigamente" remete aos meus anos de música preferido, os 60's e os 70's; uma geração (ou duas) de artistas excelentes, esbanjando personalidade, estilo e musicalidade, e influenciando um pequeno e em fase de aperfeiçoamento* mundo inteiro.

Enfim, hoje seguimos procurando agulhas em um palheiro gigante, encontrando aqui e ali boas influências musicais, bons artistas, pessoas lutando pela musicalidade dentro desse baú imenso de porcarias desqualificadas que têm (certas coisas da nova regra do português ainda se mostram tão ineficientes para mim que eu prefiro usar tudo como era antes) chamado de "música", e tentando sempre salvar nossas crianças do lixo comercial, assim como, um dia, nos salvaram.

[*ressalvas para esse "fase de aperfeiçoamento"; depois de ter estudado muita história, a visão que eu consigo ter sobre o mundo dessa época é esbranquiçada, como se depois de tanto tempo de obscuridade, o povo conseguisse, finalmente, enxergar a luz no fim de anos negros, e se libertar de conceitos e estatutos antiquados e desnecessários. Só de maneira nenhuma pense que eu penso que os anos 2000 representam essa luz.]

Uma das maiores bandas mundiais em termos musicais, estilísticos e de personalidade, hoje em dia, é o Coldplay, e deixo bem claro que esse conceito é baseado em várias e várias referências, mas nunca no meu gosto, de modo que, ainda que o conceito musical deles não se interligasse com o meu, eu teria que respeitar as estatísticas. A possibilidade de vê-los no Brasil em fevereiro, junto com meu irmão, e logo nesse momento tão British que a gente anda vivendo, me fez ontem aceitar pagar R$500 se fosse preciso para ir na pista VIP e ficar bem pertinho dos caras. Todo esse dinheiro parece que não vai ser necessário, mas por um minuto eu tive orgulho da minha visão de dinheiro (na verdade, chega a ser um defeito não saber controlar os gastos). Deveria eu ter pensado "não, isso é dinheiro demais para esses capitalistas filhos de uma puta"?

Outro dia, tinha um sol perfeito brilhando lá fora, e o dia estava realmente muito, muito bonito. Eu subi pra caminhar na UF e essa música começou a tocar. "It's such, it's such a perfect day..." As circunstâncias se uniram de maneira tão favorável que me atingiram com tamanha particularidade que eu chorei de emoção, de alegria. Não é isso que a arte nos proporciona, não é disso que ela é intrinsecamente composta, desde o agente até o receptor? Não é em busca de emoções que passamos a nossa vida inteira, inclusive quem não se interessa por arte?

E não é para suprir as minhas buscas que eu trabalho e ganho dinheiro no final de cada mês? Para que eu chegue no fim da minha vida pensando "fiz tudo que queria ter feito"? Não é para gastar com as nossas necessidades que inventaram esse imperador impiedoso chamado "dinheiro"? E se eu tiver necessidade de emoção? E se eu tiver necessidade de arte?

Deixo aqui o clipe da música que me inspirou a esse post, e recomendo.
Artisticamente emocionante.



"Now the sky could be blue, I don't mind
Without you it's a waste of time..."