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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

 "O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. 
O que deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza"

Uma célebre frase do nosso mestre Guimarães Rosa pra ilustrar o que eu mais tenho ouvido (e sentido, não nego) nas últimas semanas: "to muito cansado" e "quero férias". A verdade é que um belo dia resolveram dividir o nosso tempo em anos, meses, dias e noites, horas e minutos, e assim resolvemos seguir e só permitir que o cansaço venha do acúmulo, e isso é sempre no final do que quer que seja; além da disposição, que só retorna no início, do que quer que venha a ser.

O signfiicado de terminar um ano? Eu por várias vezes já me perguntei se seria realmente "mais um ano" ou "menos um ano", e a conclusão é simples de que seria mais um na contagem da nossa idade e menos um no número dos que chegaremos a completar, sem ter absolutamente nada a ver com aquela história de que devemos sempre ver o copo metade cheio e não metade vazio, bla bla bla; um cálculo simples, como devem ser os cálculos, baseados na lógica conceitual que, mais uma vez, nós mesmos criamos. Só que, se eu resolver colocar um cadinho só de sentimento nessa análise, seria com certeza "mais um ano": um ano de muita coisa boa, de letras, de ich, de gente nova e inteligente e musical, de são joão, de radioleft, de muito estudo e muito trabalho, de muita leitura, de pouco sono, de nenhuma atividade física, de muitas noites, muito mais que dias, de pouca briga e de pouco choro. E não poderia nunca deixar de destacar o principal, que sustentou todos os outros, que a eles deu origem e, para permanecerem, coragem: esse foi, sobretudo, um ano de escolhas. E não é mesmo diante delas que a gente realmente se mostra?

E do próximo, nada, nada se sabe, exatamente como de todo o resto; quando se pensa assim, até mesmo acordar amanhã de manhã se torna mais um dos nossos "planos futuros muito distantes". Em resumo, vamos acabar as provas, entrar de férias, comprar presentes, ver "Esqueceram de Mim 25" na Sessão da Tarde, ter pelo menos três amigos ocultos, curtir o natal como de costume (pela religião, pelo feriado, pela união da família, pelos presentes ou pela comilança), esperar por uma semana a chegada do novo ano, estourar uma champagne e recomeçar tudo outra vez, como já vimos fazendo por alguns anos. E só me resta desejar uma boa renovação para todo mundo.


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente."

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

should I stay or should I go?

Quando eu te disse que metade lia poesia e a outra metade fazia a unha, não estava brincando. Você riu, achou curioso, engraçado, diferente, intrigante, massa, encorajador, perfeito, ou, bem provavelmente, na verdade, nem ligou, e no fim "sei que não preciso me inquietar, até segundo aviso você prometeu me amar".
Mas será que, na verdade, como você mesmo me disse, e mais de uma vez, você já sabia que eu era exatamente assim? Será que é do ser ser assim?
Construídos sob antíteses, dualismos, duplicidades, paradoxos, oposições, e (de que jeito evitar?) incoerência, assim somos todos, alguns não apresentando tamanhos abismos entre os dois lados, e outros não possuindo somente pequenas fendas. De dentro pra fora e, também, de fora pra dentro, desde o que nos motiva em uma escolha até o que fica, através delas, refletido.

A metade consumista de mim hoje se ociou por trinta minutos, e, acredite, esses trinta minutos foram o bastante para entrar nas Lojas Americanas e comprar uma barra de chocolate da promoção e uma revista "Cláudia" desse mês, com a seguinte manchete: "Tudo que você precisa saber para estar saudável e linda daqui a 20 anos". É verdade que a incoerência começa na compra - qualquer idiota sabe que pelo menos 30 200 das 230 páginas da revista viriam com dicas de alimentação e malhação. Depois da incoerência, a depressão de olhar todas aquelas mulheres cheias de plásticas, podres de ricas e que aparentam 20 anos a menos e pensar que eu, hoje, com dezenove, não faço nenhum dos tópicos como "malhar", "comer bem", "usar filtro solar", ou "tirar a maquiagem antes de dormir". Os gregos utilizavam a filosofia "mente sã, corpo são", mas, será mesmo que eles consideravam os gordinhos corpo não são porque a aparência não favorece?

E foi aí que começou o maior conflito, o conflito que perpassa todos os outros da minha vida; que me suga todos os dias, que não me deixa viver em paz: comer ou não comer, eis a questão.

Metade de mim realmente acredita que, mais importante que o corpo que se exibe, deve ser o que se cultiva na mente. E eu até chego a perdoar o descaso corporal que me assombra pensando nas horas desse quase já ido semestre que passei lendo, escrevendo, assistindo filmes e estudando, e não correndo na esteira. Mas a outra metade...tem sofrido com o reflexo desse descaso no espelho (trocadilho, yes!). E mais ainda com o pensamento de que cuidar agora é, com certeza, a chave para um futuro bem cuidado.
Os que me conhecem, nesse minuto estão pensando "essa idiota não é gorda e ta fazendo drama", mas pelo amor de deus. Não é drama, é o tempo. E, principalmente, o que um padrão imbecil criado por pessoas que acham que ser pele e osso é mais bonito do que tem gordurinhas salientes faz com metade de mim! E digo mais: longe de ser um protesto, encarem como um desabafo à minha fraqueza, que consegue perceber a pequeninisse desse conflito interno, mas não consegue não se abalar...

A metade que vos fala nesse minuto, frustrada pelo peso, pela angústia (hoje eu seria capaz de escrever um livro inteiro intitulado "comer ou não comer mais um pedaço" ou "acabar com a barra de chocolate ali na sacola ou não?"), é a mesma metade que não controla o dinheiro, que faz as unhas, que vai pra Nova York, que gastou rios de dinheiro para cortar o cabelo hoje mesmo, que usa botas de couro e que precisa sair de casa todos os dias se sentindo bonita e bem arrumada. A outra metade frequenta o ich com prazer, dá dinheiro aos mendigos, aprecia sentar na grama, lê e pensa sobre a vida e, mesmo na frase mais idiota ali de cima, estava ainda pensando em escrever um livro. Isso reforça ainda mais a teoria de que conseguimos unir as sensações e os pensamentos mais antitéticos em uma só mente, que, bem lá no fundo, é, realmente, uma só.

No mais, um beijo enorme de coragem e admiração às gordinhas sem complexo! A metade de mim que pensa (isso me lembra "você ainda pensa, e é melhor do que nada") acredita que vocês são reais exemplos de felicidade e vitória nesse mundo de aparências e estereótipos tão idiota.

PS: Já posso começar a fazer minha lista de New Year's Resolutions??? Começo, então, por a) praticar um esporte; b) comer menos porcaria. O mesmo início há...uns 5 anos, pelo menos.