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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

benjamin button

O tempo é outro. E quando vê já foi, e ninguém se dá conta.
O tempo me assusta. No fim de cada dia eu não penso na ruga que quer surgir do lado do olho. No fim de trezentos e sessenta e cinco, as pessoas me ligam para garantir que eu não me esqueça desses dias que, feito o que tenha sido feito, não hão de voltar.
Não é o envelhecimento que me assuta; estar velho significa não estar morto. Me assusta o que passa e eu não percebo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

do que eu já não quero mais saber

"As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais."


ABREU, Caio Fernando. Holocausto.


Finalmente acabou. A sensação de que tudo foi deixado pra trás, e que já faz muito tempo, finalmente existe, e não há o que mude. 
Se eu tivesse acabado com isso antes, a dor teria sido menor. 
Se eu não tivesse colocado um ponto final na agonia, eu não saberia o que é estar bem.
Se...se eu não tivesse nascido, nem agonia teria existido - eu odeio subjuntivos. Talvez nesse ponto a gente concorde...será?


Vai, segue seu caminho. Sozinho como sempre. Ou cultivando a mentira de suportar tudo nas costas que você(s) pensa(m) ser verdade. O meu está se fazendo, cada dia com mais promessas pro próximo, cada um com mais promessas pro outro. E a sensação de estar encontrando construindo o melhor caminho, o mais feliz. 
Você não sabe o que é felicidade, não sabe o que é paz. Não sabe simplesfazer as coisas, não sabe nem mesmo se virar. Não sabe ser menos idiota, nem se adaptar. E eu uso toda a sua idiotice que sempre zombou da minha alegria para zombar de você, hoje; você é um exemplo clássico da alienação, da falta de pensamento, um dos motivos da minha desacreditância no homem. Mas sabe porque eu nunca te disse isso? 
Se não há em você a capacidade de pensar assim, não há o que eu diga que te faça pensar diferente.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

mande notícias do mundo de lá, diz quem fica...

Escrevendo diretamente do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e, pode acreditar, nenhum lugar é tão inspirador quanto um aeroporto. Muita gente diferente, indo e vindo, trabalhando, esperando, embarcando... Difícil é estar a cinco horas de embarcar para Nova Iorque e ainda se lembrar de que daqui a seis será um novo ano, ao menos para o povo aqui no Brasil. E, cá entre nós, deve ser engraçado estar lá do espaço observando as queimas de fogos de uma em uma hora, começando lá no Japão - e se matar de tanto pensar porque já é ano novo em um lugar e ainda não é no outro, todos no mesmo mundo. Aliás, me lembra que acabei de vir do Rio pra cá de avião, e poucas coisas são mais bonitas do que estar em cima das nuvens e ver a maior cidade da América Latina como uma maquete, muito pequenininha.

Eu seria injusta se dissesse que esse ano não foi bom, principalmente tendo em vista que o único acontecimento que poderia se chamar problema se tornou o motivo de uma viagem dos sonhos; não há do que reclamar. Mas é que 2010 vem aí com tanta, mas tanta coisa pra acontecer... Parece que já fiz planos pra todos os meses, para cada um dos dias, e de repente 365 parece bem longe do que se diz suficiente.

E, no mais, hoje sim eu começo a ser também saudade. Também saudade, porque passo a ser também partida; só que os planos se parecem tão maiores, que a saudade se transforma numa vontade de que você estivesse aqui comigo, ou lá também; muito mais do que querer estar aí, prevalesce querer que você estivesse compartilhando cada segundo desses que serão únicos pro resto da minha vida.

Sair de Juiz de Fora às 8:30am, chegar no Rio às 11:15am, sair do Rio às 3:00pm, chegar em São Paulo às 4:30pm, sair de São Paulo às 11:00pm, chegar em Nova Iorque às 7:00am, rodando de aeroporto em aeroporto, ou, mais simplificadamente, viajar por vinte e quatro horas, me lembra da viagem que é viver cada um dos nossos chamados dias. Portanto, aos viajantes que ficam, me despeço com carinho: tô indo viajar!


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pronto, agora ele já foi.
Será que eu já mencionei que acho que quando a noite é boa o dia seguinte devia ser feriado? E quando o dia anterior é todo bom, então! Com direito a samba, churrasco, cachorro, conversas, choro, muita bebida até altas horas, e companheiros de vida.

Eu, na verdade, não tenho nada pra escrever. Pela primeira vez, esse post é só e exclusivamente para registrar o dia de ontem, a nossa "segunda-feira atípica", que, de tão recheado de emoções, não me desperta desejo de colocar em palavras. Na verdade, primeiramente eu não saberia, e depois, prefiro deixar tudo que a gente sentiu ontem na lembrança do próprio sentimento; escrevendo eu poderia me atrever a limitar, e tudo que eu quero hoje é pensar em ontem como um dia de compartilhamento, e de nenhuma limitação.

Agora ele já foi, deixando um presente lindo e as melhores lembranças de um último dia. Mas, dessa vez, eu também vou. E ainda não existe "metade de mim é partida e a outra metade é saudade". Eu sou toda saudade. E o que me consola? O tempo não existe mesmo...


"...dentro dos meus braços, os abraços hão de ser milhões de abraços apertado assim, colado assim, calado assim, abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim..."