segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o amor é filme e deus espectador!

"O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica"


Filme é uma coisa complicada, não?
Sobre o mesmo filme se ouve "gosto", "não gosto", "é meu preferido", "é uma merda", "é hollywoodiano", "é forçado", "é tosco", "não faz meu estilo" (essa é a pior de todas - pra mim, se diz 'é bom' ou 'é ruim', a subjetividade do que eu chamo de "MEU ESTILO" não pode ser levada em conta!), "é denso", "não faz sentido, acaba sem mais nem menos", "é muito grande" (essa também é boa!) e taaaantos outros. Isso, a meu ver, faz com que uma discussão sobre filmes se torne densa inclusive com as pessoas com que se tem mais afinidade, quase como discutir religião e futebol (me permite não dizer nada sobre futebol hoje? ou melhor, me permite deixar aqui o meu protesto pela vitória do Flamengo no campeonato?). Eu assumo: meu gosto para filmes vai dos mais consagrados aos mais idiotas. Eu gosto, sim, de comédias românticas idiotas e mentirosas, mas se cinema é arte, assim como as outras, não posso querer lutar contra a emoção produzida também pelas películas.

Esse fim de semana eu encontrei uma coisa que existe em comum nos grandes filmes que eu gosto: a junção de uma cena e sua música, em geral, as cenas finais. Não é a trilha sonora em si, que muitas vezes nem é boa, é, por vezes, uma música, que começa quando os olhos já estão inchados e o rosto todo molhado, e que dá um nó na garganta até subirem os créditos.

Quem não se lembra, em "Efeito Borboleta", de Evan queimando suas lembranças e depois encontrando Kayleigh na rua ao som de "Stop Crying Your Heart Out?" ("don't be scared...you'll never change what's been and done..." ironicamente)? Ou de William Thacker e Anna Scott na entrevista coletiva, quando ele pergunta por quanto tempo ela ainda vai estar em Londres e ela diz "Indefinetly" e começa "sheeeeeeeeeee may be the beauty or the beeeaast..." e os flashes em cima deles...Em "Crash", depois de toda aquela trama maravilhosa, a capa invisível, tudo se interligando, como a nossa vida mesma se dá todos os dias, vem a cena final, e sobe a música do filme "maybe tomorrow, I'll find my waaaaay home...", consigo sentir o nó na garganta nesse minuto, só de lembrar. Não deixo de fora a cena mais bonita de "Lisbela e o Prisioneiro", os dois no caminhão, tocando "o amor é fiiiilme...". E também não poderia faltar a grande inspiração para quem vos fala, Amélie e Mathieu, na motocicleta pelas ruas de Paris, ao som da valsa e depois de nos emocionar com seu (fabuloso) destino.

Um dia, quem sabe, eu faça uma lista dos meus filmes preferidos da vida inteira, sem hierarquia, por favor, porque se tornaria impossível. Eu me lembro de ter um dia acreditado na Lisbela, que disse que a vida da gente é como um longa-metragem, e alguém um dia ter me dito "Deixa de ser idiota, a sua vida não é um filme". E eu posso dizer, à maneira clássica de ignorar, que quando ouvi isso, o filme que eu construo todos os dias era um suspense com bastante drama, e hoje eu vivo um romance com pitadas de comédia e aventura. Ah, e, é claro, com direito a uma trilha sonora espetacular.


"É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos"

"O Amor é Filme" - Lirinha



4 comentários:

Andrey Brugger disse...

O amor é filme.

Concordo integralmente com mais esse maravilhoso texto, Robs!
E digo, assim como no cinema, na vida a trilha faz marcar aquele momento especial.

:)

ticiana.muniz disse...

ai q lindoooooooo!!!
lembrei de todas as cenas nitidamente e até fiquei arrepiada!

aline disse...

Há cenas de filmes que ficam na minha cabeça durante dias e há aquelas que eu sei que ficarão por toda a vida!
Obs: Será que existem pessoas que nunca se envolveram com algum filme ? Isso sim seria triste!
Tá aí, amei!

Vital disse...

cada vez melhor a construção
dos textos, li com fluidez...

mas quanto ao flamengo...
é uma alegria que experimenta até quem torce contra!

aieuheuhaeaeaeaiueh