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domingo, 3 de outubro de 2010

eat pray love

Tem coisas das quais você passa a vida tentando se esquivar, mas não consegue. Uma delas é a minha paixão por filmes estúpidos, como esse, que me pegou pelo coração esse fim de semana e me deixou doida, pensando em tudo quanto é possível de se pensar ao ver alguém tentando arrumar a vida. E louca pro meu livro chegar!
Acho que ele vai no limite, que se fosse um pouco mais corria o risco de ser auto-ajuda e um pouco menos, de dar sono. Vale bem a pena.

Italy to eat, India to pray and Bali to love.
I think I would try Brazil to eat (Brazilian is the only food better than Italian), Greek to pray (for those who are not used to praying, a place with such a cultural legacy will do) and Ireland to love (cold weather, cottage in the mountains, fireplace, snow, hot chocolate and comforters - ok, I prefer to love in the winter). What about you?

quarta-feira, 10 de março de 2010

sinfully delicious


Na verdade, não muda a vida de ninguém, e nem parece feito pra isso, de qualquer maneira (a verdade é que quem pensa como pensa não se permite questionar, e muito menos aceitar mudanças). Mas mostra de maneira bem bonita a possibilidade de ver a vida e sua simplicidade, sem preconceitos, sem conceitos, sem leis nem sofrimento, assim mesmo com tudo foi feito pra ser. 
Bom pra qualquer idade, qualquer pessoa, qualquer cultura. Mas fica mais delicioso se visto por um coração apaixonado...e com muitos bombons e trufas pra durante e depois!



Chocolat - Juliette Binoche, Judi Dench, Alfred Molina, Lena Olin and Johnny Depp

domingo, 24 de janeiro de 2010

sem nunca perder a mineiressência

Uma vez eu vi num filme um cara falando que numa cidade normal você passa pelas pessoas, esbarra nelas, elas esbarram em você, e que em Los Angeles ninguém te encosta. E que isso faz tanta falta, que por essa razão as pessoas batem mais de carro, pra sentir o signfiicado de bater, mesmo, de encostar. E isso acontece em New York também.

Já se vão vinte e quatro dias em um cidade gigante, e muito, muito atípica. Se me perguntarem algum dia sobre os hábitos dos nova-iorquinos, não sei se saberei responder: só um quinto das pessoas que andam nessas ruas são nativos dessa cidade, e o resto vem do mundo inteiro, do mundo inteiro mesmo! Pelo meu quarto no primeiro albergue passaram uma alemã, uma belga, uma argentina, uma canadense, uma americana (ou não seria estado-unidense? a coisa mais estranha é ver todo mundo aqui dizendo "Because here in America..." e pensar quando foi que você deixou de ser também americana), uma das Filipinas (sei lá como se diz quem nasce nas Filipinas aiuhaiuhaiuhaiu). Fiz uma amiga coreana nos primeiros dias, e depois um amigo australiano, conheci mais três alemães...Na minha sala de aula, uma italiana, uma chinesa, duas coreanas, uma norueguesa, uma uruguaia; no outro albergue, uma outra das Filipinas. E a pergunta que eu mais me fazia,  durante todos esses dias sozinha no meio desse bando de gente estranha, era se somos mesmo tão diferentes ou simplesmente tão iguais.

As duas primeiras semanas foram fantásticas. Foi como descer do avião direto dentro de um filme: todas as pessoas encapotadas, um frio de doer, o vento batendo no meu cabelo e todos aqueles prédios altíssimos e  toda essa gente importante trabalhando, eu conseguia ouvir a trilha sonora. E não adianta vir me dizer "esse é um país que eu não queria conhecer" ou "os americanos são idiotas, não quero ficar dando dinheiro pra eles", porque é uma cidade muito linda e com muuuuuitas coisas muito interessantes pra se ver, fazer, visitar, tirar foto, ou simplesmente sentir (e além disso, não tem um papel ou cocô de cachorro no chão, eles falam "sorry" e "excuse me" a cada dois segundos, ninguém passa na sua frente na fila nem fica com seu um centavo no supermercado.. não parece um excesso de educação pra nós?) Como mesmo me disseram "uma cidade não só pra ir, mas pra frequentar". E eu acrescentaria ainda, uma cidade com muito homem e pouco deus: põe em pauta a minha sempre frequente dúvida sobre a imensidão ilimitada do homem. O homem em Nova York é gigante, e ele não fez terra, céu, mar, luz, trevas; estava muito ocupado dando vida a arranha-céus iluminados, parques gigantescos, monumentos incríveis, metrôs infinitos e pontes astronômicas, muito além do que chegou pra nós aí no Brasil, e muito mais do que conseguimos imaginar sem nunca ter estado aqui.
Era um pouquinho de saudade, era lembrar de cada um nas milhões de coisas que se vê por dia, era fazer um intercâmbio entre o que já havia de lembrança que ficava em cada momento e em cada lugar e o que eu levava a mais dentro de mim, para contar para aqueles que estiveram lá em pensamento. E também, ter que dar conta de você mesmo sem que gritar "Mããããããããe!" fizesse efeito, foi uma aventura, com muito frio na barriga.

A terceira semana foi a mais divertida, afinal, o que essa cidade tem de melhor é diversão. Eu consegui me divertir sozinha, imagina com gente engraçada junto?
E teve também o aniversário...vinte anos são dignos de muita reflexão, não acha? São duas décadas, e nunca mais se faz a mesma idade, nunca mais se conta o mesmo tempo, e cada ano que passa é um a menos (pro encontro acontecer? haha não, não) pro que ainda falta fazer, e um a mais no que já foi feito.

E agora vamos pra última semana. É tanto rosto diferente que se vê todo dia, que a gente sente muita falta de ver os rostos de sempre. A vontade de voltar pra casa, de dormir na minha cama, de pegar ônibus, de descer o calçadão, de ir pra Universidade, de brigar com a mãe todo dia, de sair com as amigas, de almoçar na vó, de fazer unha, de ver os alunos, de ir pra São João, de fazer show já é parte de mim há alguns dias (e eu nem vou falar da saudade do namorado, porque essa já tava muito forte bem antes de eu vir, imagina agora...) e falta ainda uma semana pra eu chegar lá e começar a sentir falta daqui. Mas, na verdade, acho que a maior prova de que a gente é feliz com a nossa rotina é sair dela e sentir falta.

A conclusão maior é a de que eu poderia viver aqui pro resto da minha vida, mas jamais me sentiria em casa. Essa Minas que mora dentro de mim não deixa eu me sentir parte de nenhum lugar do mundo que não tenha pão de queijo com cafézinho, doce de leite e feijão tropeiro, montanhas e fazendas e árvores, cheirinho de terra, gente simples e desconfiada. No mais, eu quero voltar mil vezes, tomara que essa primeira viagem tenha sido a porta de entrada para conhecer muitos outros lugares do mundo inteiro; mas alegria maior será,  como tem sempre sido, a volta pra casa.

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."
Det. Graham Waters - Crash 





segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Férias.
Preguiça matinal.
Inchaço nos olhos.
TPM.
Almoço pequeno.
Preguiça vespertina.
Filme bonito. Muito bonito.
Choro.
Muito choro.
TPM.
Dor de cabeça.
Meio trabalho.
Meio férias.
Fim de ano.
TPM.
Namorado.
Sete meses.
Desabafo.
Choro.
Inchaço nos olhos.
TPM.
Internet e televisão.
Nova York.
Fim de ano.
Frio na barriga.
Preguiça noturna.
Sono.





Frio na barriga.
ou seria butterflies in my stomach?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o amor é filme e deus espectador!

"O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica"


Filme é uma coisa complicada, não?
Sobre o mesmo filme se ouve "gosto", "não gosto", "é meu preferido", "é uma merda", "é hollywoodiano", "é forçado", "é tosco", "não faz meu estilo" (essa é a pior de todas - pra mim, se diz 'é bom' ou 'é ruim', a subjetividade do que eu chamo de "MEU ESTILO" não pode ser levada em conta!), "é denso", "não faz sentido, acaba sem mais nem menos", "é muito grande" (essa também é boa!) e taaaantos outros. Isso, a meu ver, faz com que uma discussão sobre filmes se torne densa inclusive com as pessoas com que se tem mais afinidade, quase como discutir religião e futebol (me permite não dizer nada sobre futebol hoje? ou melhor, me permite deixar aqui o meu protesto pela vitória do Flamengo no campeonato?). Eu assumo: meu gosto para filmes vai dos mais consagrados aos mais idiotas. Eu gosto, sim, de comédias românticas idiotas e mentirosas, mas se cinema é arte, assim como as outras, não posso querer lutar contra a emoção produzida também pelas películas.

Esse fim de semana eu encontrei uma coisa que existe em comum nos grandes filmes que eu gosto: a junção de uma cena e sua música, em geral, as cenas finais. Não é a trilha sonora em si, que muitas vezes nem é boa, é, por vezes, uma música, que começa quando os olhos já estão inchados e o rosto todo molhado, e que dá um nó na garganta até subirem os créditos.

Quem não se lembra, em "Efeito Borboleta", de Evan queimando suas lembranças e depois encontrando Kayleigh na rua ao som de "Stop Crying Your Heart Out?" ("don't be scared...you'll never change what's been and done..." ironicamente)? Ou de William Thacker e Anna Scott na entrevista coletiva, quando ele pergunta por quanto tempo ela ainda vai estar em Londres e ela diz "Indefinetly" e começa "sheeeeeeeeeee may be the beauty or the beeeaast..." e os flashes em cima deles...Em "Crash", depois de toda aquela trama maravilhosa, a capa invisível, tudo se interligando, como a nossa vida mesma se dá todos os dias, vem a cena final, e sobe a música do filme "maybe tomorrow, I'll find my waaaaay home...", consigo sentir o nó na garganta nesse minuto, só de lembrar. Não deixo de fora a cena mais bonita de "Lisbela e o Prisioneiro", os dois no caminhão, tocando "o amor é fiiiilme...". E também não poderia faltar a grande inspiração para quem vos fala, Amélie e Mathieu, na motocicleta pelas ruas de Paris, ao som da valsa e depois de nos emocionar com seu (fabuloso) destino.

Um dia, quem sabe, eu faça uma lista dos meus filmes preferidos da vida inteira, sem hierarquia, por favor, porque se tornaria impossível. Eu me lembro de ter um dia acreditado na Lisbela, que disse que a vida da gente é como um longa-metragem, e alguém um dia ter me dito "Deixa de ser idiota, a sua vida não é um filme". E eu posso dizer, à maneira clássica de ignorar, que quando ouvi isso, o filme que eu construo todos os dias era um suspense com bastante drama, e hoje eu vivo um romance com pitadas de comédia e aventura. Ah, e, é claro, com direito a uma trilha sonora espetacular.


"É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos"

"O Amor é Filme" - Lirinha