sábado, 14 de novembro de 2009

passar uma tarde...

"Quando eu de repente não era capaz de prestar atenção em nada do que você me dizia, foi que me peguei pensando que aqueles momentos eram os que jamais sairiam da minha memória e justamente os que eu sempre sonhei ter. E nesse fim de semana, por alguma razão especial, essa sensação se sucedeu infinitas vezes.
A começar pela sexta-feira (há alguns meses meus fins de semana têm começado nas sextas-feiras); não consegui ficar na aula de manhã quando ouvi o pandeiro cantando do lado de fora da janela... Falar no telefone foi só uma desculpa pra ficar te olhando, escondidinha, fazer aquilo que você faz de melhor, e que mais me encanta. À noite, uma chama reacesa não foi capaz de me provocar a menor reação, porque de repente você e tudo que a gente tem vivido se parece muito melhor. E de madrugada... ah, eu seria injusta - mesmo que me fosse concedido o dom de colocar esse tipo de sensações em palavras - ao tentar escrever o que acontece entre mim, você, o colchão e os lençóis, que faz chover e piscar a luminária, se é que você me entende...
No sábado, a necessidade de te deixar sozinho pra concluir seus estudos provocou em mim uma saudade que nunca havia surgido antes: uma saudadezinha, bem pequenininha, oposta àquela gigante, maior do mundo, que eu sinto quando você viaja e fica duas, três semanas fora. E, de repente, lá estávamos nós de novo, mas dessa vez tínhamos todo o tempo do mundo pra dormir e acordar infinitas vezes...
E esse texto começa aqui, às 3:30 da madrugada, com um mínimo de roupa, o silêncio e a escuridão quebrados, respectivamente, pelas brasas dos nossos cigarros e pela sutil luz do poste que invadia a sua janela; além das palavras que eu não seria capaz de me lembrar: o cenário era de um modo tão atrativo que as frases não tinham mais a menor importância.
Te acordar no domingo com café na cama, dormir, acordar, dormir de novo, acordar de novo, te ver fazendo o nosso almoço, ir embora, voltar e te ver sentado, de óculos na frente do computador, lendo, escrevendo e pensando; tudo como eu sempre quis que fosse. Dizem que nada pode ser perfeito, e eu acredito; quando as coisas começaram a ficar boas demais, um lado da minha vida desandou, e não sei sequer explicar a sensação de chegar à noite, exausta e chorando muito, e ter o seu colo, o seu carinho, ouvir tudo o  que você me disse todos os dias.

Quanto mais eu leio sobre as perguntas que nos fazemos todos os dias, mais eu me pego com um misto de sensações e pensamentos confusos, que começam numa citação do próprio livro: "E eu não quero que você seja uma dessas pessoas. Estou me esforçando ao máximo para familiarizá-la com suas raízes históricas, pois só assim você se tornará uma pessoa de verdade. Só assim você será mais do que um macaco sem roupas. Só assim você não vai ficar flutuando no espaço vazio." e terminam na grande questão sobre, se não sabemos de nada e de nada nunca saberemos, o que realmente vale à pena? E eu só consigo pensar que o amor em seu grau máximo, envolvendo de simples olhares a incríveis cenários, é a única razão que faz tudo realmente valer à pena. Te amo. E obrigada pelos melhores quatro meses da minha vida."
15 de Setembro de 2009

Eu uso hoje um texto de dois meses atrás para desejar feliz seis meses para nós dois e inclusive para o resto do mundo, que tem compartilhado de tanta alegria, todo dia, todo dia. Me pergunto até quando vou dizer "os x meses mais felizes da minha vida", ou se no fim dela direi "a mais feliz de todas as vidas".

No mais, já to bastante atrasada para a comemoração.


"assim como o oceano
só é belo com luar
assim como a canção
só tem razão se se cantar
assim como uma nuvem
só acontece se chover
assim como o poeta
só é grande se sofrer
assim como viver
sem ter amor não é viver..."





4 comentários:

Vital disse...

Adorei! Tudo de bom pro meu casal preferido e mais amigo!

Ah! e se no meu blog quando eu disse do amor voce citou o chico eu aqui vou de luiz melodia...

"se alguém quer matar-me de amor que me mate no estácio bem no compasso
bem junto ao passo do passista da escola de samba do largo do estácio..."

kinha disse...

Amor! Amor! Começa, cresce, expande, toma volta e faz tudo denovo! Não tem nada melhor que isso, nas horas, dias, meses e anos! Que haja em nós muita coragem pra amar sempre!
;]

Andrey Brugger disse...

Amar e mais amar depois de se ter amado, eu desejo a vocês parafraseando o grande Guimarães Rosa!

E claro, que eu devo repetir aqui o que eu vivo te falando, não com inveja, mas com admiração: sortudo do teu namorado! hehe

Robs, chegou "quase agora" e tem feito uma diferença total. Torço realmente pela tua felicidade e do Natan, porque quando vejo o barco de vocês navegando lindo no horizonte, me dá vontade de não parar de construir e remar no meu também!

Felicidades, moça! Que seja sempre doce!

beijooo

ticiana.muniz disse...

venho aqui comentar depois te ter visto uma das cenas mais lindas ontem, enquanto você cantava, ele tocava e todo mundo se encantava....
só desejo toda felicidade do mundo, que ainda é pouco! :)