segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"...e de te amar assim, muito e amiúde, é que um dia em teu corpo, de repente..."

Depois desses quatro dias sem você, me restou voltar agora pra casa (quatroetrintaedoisam), sendo que amanhã o dia ta pretendendo começar às sete, com iogurte com aveia, laranja, pão integral com requeijão light, em seguida auto-escola e logo depois caminhada (porque não há mais quem aguente esse tamanho que eu ando sustentando); e encontrar a cama cheia de livros velhos, cds proibidos, o puff pilhado de roupas, a mesa, por sua vez, de livros, me lembra que, de novo, a minha vida parou e não volta ao normal enquanto você não se for novamente, como de costume. Ah, mas isso está muito e muito longe de ser um protesto...

Fui interrrompida na volta pra casa por uma lua. Aquela que vive lá em cima, desde ontem, e hoje inclusive, ta batendo recordes de boniteza; e isso me fez lembrar meus tempos áureos, de antes do período de Idade Média (2007 - 2009) pelo qual eu passei - quando a Igreja não me permitia acesso à cultura, literatura, música e arte (eu acho essa metáfora sensacional! modéstia a parte) - quando eu, que sempre fui mais música do que literatura - mas se viesse junto, era melhor ainda - passava meu tempo livre a decorar sonetos de Vinícius de Moraes. Ah, hoje você acha tempo perdido, mas não era nada mal para uma adolescente, e, vamos lá, bem melhor do que escutar NX Zero e pegar geral, como andam fazendo hoje em dia.

Eu sabia (e ainda sei, fala sério que essa nossa memória é uma coisa muuuito louca mesmo) o da Fidelidade ("...mas que seja infinito enquanto dure"), que era mais chichezinho; o do Amor Total ("...hei de morrer de amar mais do que pude"), que era muito bonito e está presente no título também; e o chamado "Soneto do Corifeu", escrito para a peça "Orfeu da Conceição", do próprio já citado, uma adaptação do mito grego de Orfeu e Eurídice para as favelas do Rio. E contém a comparação mais bonita que eu já ouvi sobre uma mulher e a lua; ele sabia mesmo como escrever sobre e a nós, e era, sem dúvida, o que cantava de melhor (acho que por isso casou tanto sendo tão feio!).

De dentro da minha mente adolescente, fico por aqui a homenagear a lua e as mulheres com essa obra do nosso poetinha. Uma boa semana para todos.

"São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge, de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar, e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua
Tão linda, que só espalha sofrimento
Tã cheia de pudor, que vive nua."


Vinícius de Moraes - Soneto do Corifeu



3 comentários:

Andrey Brugger disse...

"decorar sonetos de Vinícius de Moraes. Ah, hoje você acha tempo perdido, mas não era nada mal para uma adolescente, e, vamos lá, bem melhor do que escutar NX Zero e pegar geral, como andam fazendo hoje em dia..".

Primeiro lugar, sério que você existe? :)

E caramba, que honra Robs comentando no meu blog! hehe

Começarei a te ler também (antes eu só escutava, gosto da tua versão de Help!)

beijos, moça!

disse...

Olá Roberta! Parabéns por este blog e pelo texto tão rico. Vou passar mais vezes por aqui.

bjs

obs.: Adorei a metáfora!

Identidade disse...

Pobres de nós mulheres tão despretenciosamente fatais!
heuheuheuheuee
Gostei!!!!